A Revolução dos que não Sabem Dizer Nós

Do rio que tudo arrasta, se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem. 

Bertolt Brecht

O teatro é, por definição, um espaço de entretenimento. A música acentua o seu caráter lúdico. O género musical pode, no entanto, não se esgotar na mera diversão e, pelo contrário, ser uma escola para a compreensão da História e uma chamada de atenção para o exercício da cidadania. Brecht advogava um teatro didático a que chamou Teatro Épico. Nele, o espectador é convocado a pensar o porquê de cada ação, e não a deixar-se levar passivamente pela torrente emocional. Esta viagem à vol de oiseau sobre a Revolução e o que a motiva pode ser um aviso às gerações mais jovens para um problema que aparentemente a nossa geração se “esqueceu” de lhes testemunhar: Ninguém, individualmente, pode mudar o mundo: a transformação social só ganha sentido como ato solidário.

 João Paulo Costa

 

Como falar em revolução numa época em que a política está descredibilizada, em que o híper- individualismo se consolidou, em que as ideologias ainda se recuperam do sucessivo desgaste que as suas práticas provocaram. Logo no início dessa pesquisa, descobrimos o “lamento” de um jornalista francês: “uma época que não sabe dizer nós (naquele contexto, é um nós político, não humano ou social) ” tornou-se um fio condutor para este projeto. (…) Por outro lado a sucessiva uniformização promovida pela sociedade de entretenimento criou hábitos e modos de ver (ou de desaprender a ver) em que a canção política é tratada como qualquer outro produto, em que qualquer poema, por subversivo que seja, acaba transformado em espectáculo, a partir de uma multiplicidade de efeitos e formas de interpretar que visam mais a sedução do que a emoção ou o pensamento. Daí que este trabalho, para mim, tem sentido se procurar uma depuração de meios e de efeitos;- a verdade da emoção; – a compreensão do pensamento que procura provocar. O trabalho procura ser ainda um olhar sobre a juventude (e o seu papel ou não papel nos momentos revolucionários), e construído a partir da raiz (a música portuguesa, a cidade do Porto) e de referências directas ou indirectas ao teatro.

Zeferino Mota

 

Texto e Dramaturgia ZEFERINO MOTA

Encenação JOÃO PAULO COSTA

Direção Musical ERNESTO COELHO

Elenco BEATRIZ FRUTUOSO, ANA LUÍSA QUEIRÓS, MIGUEL LEMOS, PEDRO ROQUETTE, RITA LAGARTO e TIAGO ARAÚJO

Espaço Cénico SUSETE REBELO

Figurinos e Adereços LOLA SOUSA

Desenho de Luz CÁRIN GEADA

Som JOSÉ MENESES

Produção GLÓRIA CHEIO E PEDRO APARÍCIO

Direção Técnica PEDRO VIEIRA DE CARVALHO

Direção de Cena NATÉRCIO SILVA

Montagem CÁRIN GEADA, FÁBIO FERREIRA, JOSÉ MENESES E VÍTOR PAIVA

Operação de Luz e Som VÍTOR PAIVA E JOSÉ MENESES

Execução de Espaço Cénico SUSETE REBELO

Assistência ANA ISABEL NOGUEIRA

Apoio PAULA CABRAL E HELENA CARDOSO

Execução e Manutenção dos Figurinos GLÓRIA COSTA

Cabelos UPGRADE PRODUCTIONS

Agradecimentos Junta de Freguesia de Paços Brandão na pessoa do seu presidente Firmino Costa, STEP – Transporte de Piano, Rui Macedo – Afinação de Piano

Informações

Maiores de 12

Duração aproximada: 85′

 

4 a 22 de setembro de 2013, no edifício AXA

16 de janeiro de 2014, no Teatro Municipal de Bragança

18 de Abril a 10 de Maio de 2015, no Auditório do Palácio do Bolhão

Fotografias de Pedro Vieira de Carvalho