amor de perdição

O repto lançado ao Teatro do Bolhão pelo Teatro Nacional São João de levar à cena Amor de Perdição, de Camilo Castelo Branco, constitui não só um desafio artístico, mas acarreta também a enorme responsabilidade de difundir uma das obras maiores da literatura portuguesa do século XIX.
Amor de Perdição teve um sucesso que o autor não esperava, por achar uma obra de certo modo frouxa e no prefácio da quinta edição Camilo deixa-nos pistas importantes: “Eu não cessarei de dizer mal desta novela, que tem a boçal inocência de não devassar alcovas, a fim de que as senhoras a possam ler nas sal as filhas ou de suas mães, e não precisem de esconder- se com o livro no seu quarto de banho. Dizem, porém, que o Amor de perdição fez chorar. […] Aí! quem me dera ter antes desabrochado hoje com os punhos arregaçados para espremer o pús de muitas escrófulas à face do leitor! Naquele tempo, enflorava-se a pústula; agora, a carne com vareja pendura-se na escápula e vende-se bem, porque muita gente não desgosta de se narcisar num espelho fiel. […] Se, por virtude da metempsicose, eu reaparecer na sociedade do século XXI, talvez me regozije de ver outra vez as lágrimas em moda nos braços da retórica, e esta 5ª edição do amor de perdição, quasi esgotada.”

Esperamos, na vivificação do teatro, poder fazer jus a esta visão de Camilo.

Maria João Vicente

Encenação Maria João Vicente Adaptação e Dramaturgia Constança Carvalho Homem Interpretação ANABELA SOUSA, MARIA DO CÉU RIBEIRO, PEDRO COUTO (mais cinco intérpretes a definir) Cenografia Cátia Barros Figurinos Lola Sousa Luz Pedro Vieira de Carvalho Direção de Produção Pedro Aparício e Glória Cheio Coprodução Teatro Nacional São João e Teatro do Bolhão