Auto-Acusação

O novo espetáculo do Teatro do Bolhão, com encenação de Joana Providência e Maria do Céu Ribeiro, a partir de Peter Handke, Auto-acusação, é uma das intituladas Peças Faladas, na qual não há personagens, narração ou cenário e a palavra ganha o protagonismo da cena.
Há um jogo provocatório com o espectador neste texto do dramaturgo austríaco que se foca no ato de falar. A fala como uma ação. Em Auto-acusação a confissão “eu…” é proferida tanto pelo autor mas dirigida a si próprio como a qualquer um dos que se encontram no palco e na plateia: “Eu fui ao teatro. Eu ouvi esta peça. Eu disse esta peça. Eu escrevi esta peça.” Se, por um lado, a linguagem permite um trabalho de voz surpreendente, por outro, a forma como a voz desse “eu” é desenvolvida aqui gera uma verdadeira polifonia que despoleta ações físicas. Para a coreógrafa e para a atriz e encenadora, que codirigem este trabalho, interessa reavaliar essa intenção de Handke e do seu teatro pós-dramático, à luz de um tempo que alterou profundamente os hábitos de perceção do público, o público de hoje.
Direção Joana Providência & Maria do Céu Ribeiro
Intérpretes Co-criadores António Júlio, Catarina Gomes, Catarina Luís, Margarida Gonçalves, Pedro Galiza
Desenho de Luz Nuno Meira
Desenho de Som Luís Aly
Cenografia Cristóvão Neto
Figurinos Cátia Barros
Assistência a Cenografia Filipe Mendes e Nuno Encarnação
Apoio a Movimento Daniela Cruz
Operação de Luz Tiago Silva
Operação de Som Fábio Ferreira
Direção técnica Pedro Vieira de Carvalho
Direção e Produção Glória Cheio, Pedro Aparício
Produção Executiva Rosa Bessa
Operador de vídeo Leandro Leitão
Agradecimentos Guilherme Dutschke (Instituto Goethe), Sónia Martins, Loreto Martínez Troncoso, Alexandra Moreira da Silva (Agradecimento especial). Naomi Preizler

M/12

60′