D. Juan ou O Festim de Pedra

A grande quantidade de lendas e contos medievais em que o herói, ímpio e libertino, é D. Juan testemunha a enorme popularidade desta personagem desde há muitos séculos e de que forma, desde cedo, a mesma foi assumida pelo Ocidente como figura “arquetípica” de um comportamento e de um estilo de vida tentador mas que, a ser seguido, só pode conduzir a um único desfecho, a um único destino: a morte e o inferno. Diz a lenda que D. Juan, por incapacidade de se fixar numa única mulher, por incapacidade de amar, por amar sucessivamente várias mulheres, ou fruto de uma vaidade compulsiva e de uma necessidade doentia de ser querido, não perde ocasião para acrescentar ao seu lote de amantes uma mais, nunca tendo em consideração os sentimentos ou os sonhos da sua nova presa.

Jean-Baptiste Poquelin, mais conhecido como Molière, nasceu em Paris nos anos 20 do século XVII, foi dramaturgo, actor e encenador e é unanimemente considerado como um dos mais importantes mestres da comédia satírica. A sua obra – como aliás a sua vida – é pautada por sucessivos escândalos e interdições, problemas a que inevitavelmente é conduzido a partir do momento em que opta por usar a literatura como meio de crítica social e de costumes e cria para a sua obra um lema, que segue quase cegamente, e que resumidamente determina que “ridendo castigat mores””, ou seja, que “rindo se castigam – ou criticam – os costumes”.

Inspirando-se na obra do madrileno Tirso de Molina  (1584 – 1648), El Burlador de Sevilla, Molière, como tantos outros depois de si, “usa” a simbologia associada a Dom Juan para, uma vez mais, criticar o “mau uso” do amor pelos homens e moralizar todos quantos se pudessem rever naquela situação, indicando que o fim dos “abusadores” só pode ser a morte, uma morte horrível e sem redenção. Às sucessivas e ininterruptas “releituras” deste mito da cultura ocidental, feitas por, entre tantos outros, Lord Byron, George Bernard Shaw, Mozart/ Lorenzo da Ponte ou Richard Strauss, deve agora juntar-se uma nova leitura, a do encenador japonês Kuniaki Ida para o Teatro do Bolhão.

 

De MOLIÈRE

Encenação KUNIAKI IDA

Tradução MANUEL RESENDE

Interpretação ANTÓNIO CAPELO, JOÃO PAULO COSTA, SANDRA SALOMÉ, JOSÉ PINTO, JOSÉ MOREIRA, PEDRO DAMIÃO, RUI SILVA, CARLOS PEIXOTO, ANABELA SOUSA e CÁTIA BARGE

Cenografia KUNIAKI IDA e PAULO OLIVEIRA

Desenho de Luz JOSÉ CARLOS GOMES

Figurinos e Adereços de Ator ANA TERESA CASTELO

Banda Sonora JOSÉ PRATA a partir de MAGNIFICAT de J. S. Bach

Produção PEDRO APARÍCIO e GLÓRIA CHEIO

 

Informações

Maiores de 12

1 de abril a 1 de maio de 2005, no Auditório da ACE, na Praça Coronel Pacheco, n 1

27 de maio de 2005 no Festeixo, no Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo

29 de junho a 2 de julho de 2006, Sala Garrett, no TNDMII, em Lisboa

29 de novembro a 17 de dezembro de 2006

Fotografias de Hugo Calçada