Desejo sob os Ulmeiros

Uma coprodução ACE Teatro do Bolhão, Ao Cabo Teatro e TNSJ

 

O espetáculo é o ponto de partida de uma parceria com Ao Cabo Teatro que visa a criação sinergética de espetáculos de grande escala técnica e artística e o cruzamento com Nuno Cardoso, um dos mais relevantes encenadores portugueses da actualidade.

O autor é um nome fundamental para a definição de um teatro americano do século XX, profundamente devedor das lógicas dramáticas e dramatúrgicas do teatro europeu da viragem do século e dotado de uma vontade em contar histórias que acontecem a pessoas possíveis. Desejamos assim contar histórias, com ele, através da sua peça Desejo sob os Ulmeiros, que permite ainda a exploração deste imaginário americano intimamente ligado à Europa. De facto, a herança matricial que une ambos os lados do Atlântico faz com que esta história de pessoas possíveis ressoe neste nosso presente, também ele partilhado, de crise e de desespero.

Em O’Neill descobrimos uma América isolada na sua ruralidade, no seu esquecimento e de forma inconsciente para quase todos aqueles que a habitam, agrilhoada a uma alma universal em que os temas se repetem continuamente. “Que história tão portuguesa”, nas palavras de Aquilino talvez.

Em Desejo sob os Ulmeiros, numa América órfã de passado coletivo, faz-se ainda uma revisitação do mito grego de Fedra, presente no teatro desde Eurípides a Racine. “Que história tão europeia”, nas palavras de Zizek talvez. E porque as histórias são-no independentemente do tempos e do espaço, e porque este teatro insiste em nos fazer acreditar na imortalidade das histórias, que nos parece relevante realizar esta viagem através de O’Neill. Como ele mesmo diz, através de uma das suas vozes em Jornada para a Noite, “o passado é o presente, não é? E também o futuro”. Nós, somos seres históricos (porque organizados em histórias); somos assim, prisioneiros do tempo.

Igualmente importante é o compromisso da coprodução, para além das questões de ordem prática, parece-nos particularmente relevante um trabalho consciente de tentativa de definição de um teatro local; mas que não se contenha nessa localidade e que saiba e queira ser maior, um teatro que, à imagem de O’Neill, ignora a geografia e se permita ser, acima de tudo, teatro.

 

 

 

Encenação NUNO CARDOSO

Assistência de Encenação VICTOR HUGO PONTES

Elenco ANTÓNIO CAPELO, AFONSO SANTOS, CATARINA LACERDA, CLÁUDIO SILVA e PEDRO FRIAS

Cenografia F. RIBEIRO

Figurinos CRISTINA COSTA

Desenho de LUZ PEDRO VIEIRA DE CARVALHO

Sonoplastia LUÍS ALY

Informações

Maiores de 16

Duração Aproximada: 125’

 

24 de junho a 3 de julho de 2011, no TeCA

9 a 18 de dezembro de 2011, no TeCA

Fotografias de João Tuna

Fotografias de Paulo Pimenta