LORENZACCIO

“Uma cidade, um ser coletivo feito de inúmeras vozes”

Com esta encenação de Lorenzaccio enfrenta-se o desafio da estreia nacional de uma obra canónica da dramaturgia ocidental que, no próprio país de origem, foi considerada irrepresentável (por causa do número de personagens e das mudanças bruscas de lugar, entre outros desafios) ou que, mais tardiamente, foi apresentada em versões abastardadas, já que por razões de censura moral ou patriótica lhe amputavam intencionalmente o espírito com que havia sido criada.

A cena contemporânea, permeável à flexibilização da forma e apaixonada pela desconstrução é, talvez, a ideal para a representação de Lorenzaccio, respeitando a liberdade formal com que a obra foi concebida, sem constrangimentos do espetáculo e da encenação, e comprazendo-se em corromper as normas clássicas quer em termos das formas dramáticas, quer em termos das de identidade de género.

Por sua vez, Lorenzaccio é um espetáculo sobre uma cidade, um ser coletivo feito de inúmeras vozes, comunidade humana que a corrupção política destrói e divide, ou seja, traduz uma das mais significativas preocupações do mundo atual: a inexistência de um sistema de valores que consiga confrontar-se com a degradação política generalizada e com um poder que aprende a dissimular-se de um modo cada vez mais sábio. Valoriza-se, igualmente, no ADN da peça, o universo carnavalesco em que são as fantasias mais do que as ações a animar as personagens, e em que “tudo o que se quer ocultar é descoberto aos olhos de todos”.

Lorenzaccio é um projeto que a companhia “persegue” desde a sua fundação, mas que só agora, e graças à parceria com o TNSJ, se tornou possível materializar. Para cumprir o desafio de encenação convidámos Rogério de Carvalho. O reencontro com a sua mestria é para nós muito significativo: foi um dos professores que contribuíram de modo determinante para formar a identidade artística da ACE, escola de artes do espetáculo associada ao Teatro do Bolhão. Na forma como o encenador cruza, simultaneamente, a vida da escola e da companhia está mais do que nunca presente a convicção de “que ensinar é já encenar, e encenar é ainda ensinar”.

Finalmente, importa destacar a presença na equipa de Alexandra Moreira da Silva na dupla qualidade de tradutora e dramaturgista, o que constitui uma importante valência para a primeira apresentação em Portugal deste texto que a própria considera “hercúleo”.

 

Texto Alfred de Musset

Encenação Rogério de Carvalho
Tradução e Dramaturgia Alexandra Moreira da Silva
Assistência de Encenação Pedro Fiuza
Interpretação Ângela Marques, António Maria Pinto, António Melo, Cláudio da Silva, Hélia Martins, João Cravo Cardoso, João Paulo Costa, Jorge Mota, Luís Moreira, Mariana Silva Costa, Miguel Eloy, Odete Mosso, Paula Abrunhosa, Pedro Couto, Pedro Damião, Pedro Fiúza e  Sandra Salomé
Cenografia e Adereços Cristóvão Neto
Figurinos Lola Sousa
Iluminação Jorge Ribeiro
Som  Fábio Ferreira

Divulgação  Nuno Matos

Registo vídeo Evoke Collective

Fotografias de Cena João Tuna


Assistência a Cenografia e Adereços Filipe Mendes e Nuno Encarnação
Assistência a Figurinos  Eloísa d’ Ascensão
Adereços  de Ator Paula Cabral, Eloisa d’Ascensão e Pedro Morim
Apoio a Cenografia Sandra Marinho
Execução de Figurinos Maria da Glória Costa, Lurdes Sobrado e Ana Maria Fernandes
Apoio à Execução de Figurinos Nuno Encarnação

Direção Técnica Pedro Vieira de Carvalho
Direção de Cena Jessica Duncalf
Montagem e Operação de Luz Tiago Silva
Montagem e Operação de Som Fábio Ferreira
Apoio Técnico João Brito, Ruben Mendes, João Martins, Leandro Leitão e Liliana Macedo

Contrarregra Eloisa d ‘Ascensão

Manutenção de Guarda-roupa: Sandra Silva

Produção Executiva Rosa Bessa
Direção de Produção  Glória Cheio e Pedro Aparício

Agradecimentos: Helena Genésio, Helena Machado, António Quaresma e Susete Rebelo

 

Coprodução Teatro do Bolhão, Teatro Nacional São João

 

Informações e Reservas

M/12
Duração Aproximada: 150′

Quarta a Sábado – 19:00
Domingo – 16:00

Os lugares não são marcados