Lucki e as Baibes

Num mundo devastado pela falta de sentido da vida, Lucki mente a si próprio, tentando desesperadamente prosseguir o seu sonho de artista “pimba”. A negação da memória, o álcool, a ilusão do “grande espetáculo” e a presença de duas mulheres que sem razão aparente o acompanham, ajudam-no a prosseguir um caminho que ele ignora direto à solidão e à morte. Elas, as Baibes, quais escravas da sua condição alienada, sonhando ainda com príncipes encantados que jamais encontrarão nas sarjetas por onde se arrastam, sujeitam-se a esta sórdida encenação pelo preço de um bife. Porém, no momento em que a violência surge os dados estão lançados e ninguém poderá deter a tragédia.

O circo em pano de fundo, espelhando ou, talvez, “deformando” a nossa realidade quotidiana de modo a torná-la mais nítida para nós, cumpre o objectivo de nos divertir, ainda que a imagem que o espelho nos devolve não seja das mais edificantes. Divertimo-nos… enquanto sofremos. Já em Roma, aliado ao pão, o circo ajudava a pacificar o império… Anedota sobre o próprio acto de contar, Lucki e as Baibes é, antes de mais, uma veemente chamada da atenção para um cancro que nos consome: a violência doméstica.

 

 

Texto MARTA FREITAS

Encenação JOÃO PAULO COSTA

Música Original RICARDO RAIMUNDO

Desenho de Luz CÁRIN GEADA

Cenografia e Figurinos CATARINA BARROS e CÁTIA BARROS

Elenco MARTA FREITAS, PEDRO MENDONÇA e TERESA QUEIRÓS

Informações

Maiores de 12

 

27 de Maio a 19 de Junho de 2011, no Auditório da ACE, Praça Coronel, nº 1