Não Tenho Olhar, Mas Mamilos que Endurecem quando Alguém me Olha

Qual é a ética de um público que deseja ser entretido?

Esta é a premissa de um espetáculo que é também um exercício de reflexão sobre o papel do teatro hoje. A ACE Teatro do Bolhão acrescenta assim ao seu projeto um ciclo de teatro intimista a partir de um núcleo de criação literária. Interessa-nos apostar em novas dramaturgias, apresentações destinadas a espaços não convencionais, com uma equipa reduzida, determinante para o espírito de criação e cocriação subjacente.

O autor  Zeferino  Mota – assume-se, neste momento, particularmente orientado por autores como Rob Riemen, George Steiner, Eduardo Lourenço ou Denys Arcand, tentando cada vez mais reconhecer em si mesmo marcas que lhe foram sendo transmitidas por uma sociedade alimentada por um voyeurismo que raramente respeita a dignidade do outro, e viciada no entretenimento e no nilismo, também artístico, que não valoriza o saber herdar e o saber transmitir. Daniel Macedo Pinto dá, assim, corpo a um que ator que ao terminar a representação da personagem Orestes realiza um exame de consciência. Apresenta-se com alguém que através do seu corpo destrói a dieta do olhar necessária para se chegar ao “sentido”. A arte do ator tratada como arte da volúpia, e a volúpia como condição humana; daí a rivalidade espontânea com o texto, espaço do sentido, e por isso “desumano” já que indiferente ao poder dessa volúpia.

 

 

Texto e Direção ZEFERINO MOTA

Com DANIEL MACEDO PINTO

Desenho de Luz JOSÉ CARLOS GOMES

Realização Plástica CATARINA BARROS

Produção PEDRO APARÍCIO E GLÓRIA CHEIO

Divulgação GABRIELA POÇAS E DANIELA FERREIRA

Design Gráfico BERNARDO PROVIDÊNCIA

Informações

Maiores de 16

Duração Aproximada: 50′

 

4 a  15 de Julho de 2012, na ACE, na Praça Coronel Pacheco, n. 1