Projeto Escola

NOTA DE INTENÇÕES:

O desafio era o de colaboração entre dois antigos alunos (melhor dizer “artistas”) formados na ACE Escola de Artes: António Júlio e Sara Barros Leitão. A Sara escreveria, o Júlio encenaria.

Ambos estavam interessados em pensar a escola (melhor dizer “o projeto escola”). Não a escola onde se conheceram e formaram, mas o ensino, a sua evolução (melhor dizer “transformação”) ao longo dos tempos, as relações que se geram nos vários encontros que a escola promove – alunos, colegas, professores, funcionários, as suas tensões e as suas paixões, os diferentes espaços – sala de aula, recreio, balneários, e o que cada um pode significar para quem os habita, os traumas (escrever antes “as memórias”) que todos guardamos de ter vivido a escola numa parte significativa da nossa vida.

A eles, juntaram-se outros artistas, também antigos alunos dessa escola: a Lola Sousa, nos figurinos, a Maria Inês Campos, na cenografia, a Teresa Cruz, na interpretação, o Fábio Ferreira, no som e o Tiago Silva, na luz.

Ainda sem saber onde tudo isto ia dar, sabiam que a escola – aquela onde se conheceram e formaram – comemoraria trinta anos durante o distópico 2020. Sabiam que o espetáculo não lhe deveria cantar os parabéns. O espetáculo seria, talvez, uma prenda que se oferece, para se pensar em conjunto sobre esta coisa que amamos e odiamos, sobre um dos maiores projetos públicos, sobre um lugar em que se constrói identidade, futuro, pensamento: a escola.

Juntaram livros, que os levaram a artigos de jornais, que provocavam conversas, que levavam a estudos científicos, que obrigavam a mais conversas com outras pessoas, que sugeriam reportagens, que levavam a filmes.

Não apenas pela inevitabilidade que nos traz a pandemia, mas também porque sempre foi assim que o pensámos, este seria um espetáculo todo operado, maquinado, e interpretado por uma só pessoa.

Construiu-se um texto fragmentado, uma espécie de manta de retalhos, e uma encenação que cose as pontas e apanha as linhas soltas, proporcionando uma maratona em jeito de one woman show. 

Uma atriz que, no minuto em que arranca, não tem como voltar atrás, não tem como se esconder, que depende apenas dela própria e daquilo que o seu corpo lhe permite fazer: na escola, no teatro e na vida.

 

SINOPSE:

É uma atriz, que faz de professora, que também foi aluna, que agora já não é uma coisa nem outra, não só porque já não existe, como nunca existiu, porque afinal era teatro, que era sobre escola, que quase podiam ser a mesma coisa, mas têm nomes diferentes, porque um chama-se “teatro” e o outro chama-se “escola”.

É mais sobre escola do que sobre teatro, apesar de ser uma peça dentro de uma sala de aula e de ter uma atriz em vez de uma professora, apesar de que quando parece que está a dar uma aula, está, na verdade, a fazer o esforço da sua vida para sobreviver. A atriz e a professora.

Por isso, também é sobre morte. E agora estamos numa escola.

Também é sobre amor, e agora estamos numa escola.

Também é sobre sofrimento, sobre proibições, sobre descoberta do corpo, descoberta do outro, descoberta de nós próprios.

É sobre a escola que nos constrói e destrói. Sobre a escola que construímos, mas, sobretudo, sobre a escola que precisamos destruir.

 

encenação António Júlio
texto e dramaturgia Sara Barros Leitão
interpretação Teresa Cruz
cenografia e adereços Maria Inês Campos
figurinos Lola Sousa
som Fábio Ferreira
desenho de luz Tiago Silva
assistência a cenografia Filipe Mendes
execução de figurinos Maria da Glória Costa
edição de vídeo Nuno Matos
vozes António Júlio e Margarida Gonçalves
música Liberdade de Sérgio Godinho
produção executiva Rosa Bessa
direção de produção Glória Cheio
agradecimentos Ariana Cosme, Joana Providência, Fernandina Cruz e Bruna Costa

 

Informações e Reservas

Duração aproximada: 60′

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