Ébrios PAP | Pervertimento

Prova de Aptidão Profissional de Alunos da ACE Escola de Artes

 

O que acontece quando uma obra rompe com teatralidade? O público não tem nada para ver, atores, nada para dizer. O que acontece quando o verdadeiro espetáculo acontece no quarto ao lado e o público tem de o imaginar? Quando numa cena, todos os atores estão totalmente de costas? Isso é Pervertimento, o espanhol José Sanchis Sinisterra, com a sua nova proposta experimental “Gestus Theatre” inspirada no alemão Bertolt Brecht. Pervertimento fala de uma construção do ator com o texto, texto com o personagem e o último com o ator. O texto permite uma leitura extensiva, que fornece diferentes interpretações e requer um espectador muito mais atento. Poderíamos classificar este trabalho como uma peça que nos questiona sobre a existência/não existência. O texto ganha uma vida independente como a voz do autor questionando a sua própria transcendência. Os personagens-atores refletem sobre a sua existência no palco, a presença e não-presença. A obra, estruturada como uma dramaturgia segmentada, é um enigma que só se articula e faz sentido na mente de cada um dos espectadores, e estes, por sua vez, preenchem o seu vazio, deliberadamente, com as suas próprias referências e histórias pessoais. O público é uma peça do jogo, um elemento ativo atribuído a muitas “máscaras”, adotando vários papéis: participa, está incomodado, curioso, imagina, e até mesmo, por algum tempo torna-se um voyeur.

 

 

De SANCHIS SINISTERRA

Encenação PAULO CALATRÉ*

Assistente de encenação ÉLIO FERREIRA*

Interpretação JOSÉ CARLOS MONTEIRO, LUÍS SILVA BARRETO E PATRÍCIA GARCEZ

Figurinos CATARINA TEIXEIRA

Cenografia ANA FRANCISCA CRUZ

Som KESLLEY HENRIQUE

Luz TIAGO SILVA

Produção JESSICA DUNCALF*

*Fora do Contexto de PAP

 

Informações

Duração aproximada: 90’

Maiores de 12

 

Fundação José Rodrigues, Rua da Fábrica Social s/n

20 a 31 de julho de 2016, na Fundação José Rodrigues

Fotografias de Júlio Eme