O Rinoceronte

04 a 06 abril'25
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ACE Escola de Artes
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Auditório Palácio do Bolhão
O Rinoceronte

Em fase de conclusão dos seus cursos, as turmas do 3º ano da ACE juntam-se para o último exercício conjunto. Os alunos e as alunas sabem que este é um momento crucial da sua formação – anseiam-no e temem-no ao mesmo tempo, pois é o momento para testarem aptidões e conhecimentos adquiridos ao longo de três anos. Ainda não é a Prova de Aptidão Profissional, mas o que fizerem agora, será determinante para o que farão nesse contexto e, eventualmente, depois da escola. 

Parece que vou falar sobre pressão, não é? Parece que vou referir-me à exigência, à expectativa e à responsabilidade que recai sobre cada um e cada uma destes alunos e alunas e que é preciso empurrar todos para o nível de excelência. Podia ser esse o caminho do discurso... Mas eu quero falar de prazer. 

Do prazer de inventar, da alegria de ver acontecer, de desejo, de sonho, de assombro, de reinvenção (de si e do mundo!), da capacidade, que ainda temos, de nos surpreendermos!... de nos assustarmos...! de sermos frágeis e de nos deslocarmos das metas definidas...! 

Queria tanto falar sobre isso! Era disso que queria falar! De não sermos tacanhos, de não ficarmos pelo mínimo, de não nos deixarmos ficar, de querermos mais, de querermos muito, de estarmos atentos e sedentos e curiosos e nervosos e enjoados...! Mas reagirmos...! E sairmos para a rua para dizer: não! Para dizer: sim, é agora...! Vou tentar. 

Escolhemos trabalhar sobre O Rinoceronte, de Eugène Ionesco. Sim, é uma peça que estreou em 1959. Sim, não é uma peça de hoje. Mas será que deixou de ser sobre hoje? Acredita-se que, Ionesco, com este texto, reagia à proliferação de regimes totalitaristas pelo mundo fora – um mundo que já tinha vivido duas grandes guerras e o holocausto. Já naquela altura, devia ser sobre pós-nazismo, pós-fascismo, pós-qualquer-coisa-má que nos devia ter ensinado alguma coisa. 

Mas não era assim, pois não? Ainda subsistiam esses regimes. E em Portugal, também. Ainda era cedo para, aqui, falarmos de liberdade. Mas, e agora? É prematuro? Ou é urgente? Não desapareceram completamente aqueles regimes, pois não? Ainda estamos ali, não estamos? Parece absurdo que pessoas se transformem em animais, que usem linguagem grosseira, que deixem de saber falar. Mas não é nisso que nos tornámos, já? Não se tornou, de repente, tão fácil usarmos apenas bramidos e grunhidos na comunicação que temos uns com os outros? E se nos deixássemos levar por isso? 

Se desistíssemos de tentar outra coisa? Não seria mais fácil? Uns e outros, todos nós, aceitarmos ir, aceitarmos qualquer coisa, dizendo que é inevitável. Não seria mais fácil? 

Não. Eu não me rendo.

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Cenografia GABRIELA TEIXEIRA, MARGARIDA SÁ, MATILDE SÁ e SAM Figurinos e adereços BRUNA LOPES, CAROLINA SOARES, JÉSSICA SOUSA, SOFIA MENDONÇA e SOFIA RIBEIRO Interpretação ANA AFONSO, ANA CLÁUDIA, MARGARIDA MOREIRA, ANA MELO, ALEX ALVÃO, BRUNA SILVA, DELRIK BORBA, FILIPA PINTO, FLORA LUNA, JÉSSICA MAGALHÃES, JÚLIA MOURA, LETÍCIA ARLANDIS, LUANA SILVA, LUÍSA FONSECA, MAFALDA MARQUES, MAFALDA PIMENTA, MARTA YU BELO, MELISSA RODRIGUES, RITA CACHOLAS, RITA ROCHA, RODRIGO GUIMARÃES, RUBEN MOREIRA e NAIR GOMES Luz ANDRÉ GREGÓRIO, CÉSAR AZEVEDO,DIANA GONÇALVES, JOSÉ PEDRO SILVA, MARIA SOUSA,MIA GARCIA e SEBASTIÃO SEQUEIRA Som BRYAN ALVES,FRANCISCO RITO, JOÃO CARVALHO e MARTIM HENRIQUES 

Direção Artística ANTÓNIO JÚLIO Assistência à Direção Artística SOFIA SOARES e BEATRIZ CARVALHO Coordenação de Cenografia ANA GORMICHO Coordenação de Figurinos e Adereços CAROLINA SOUSA Coordenação de Luz MÁRIO BESSA Coordenação de Som RUI LIMA Apoio na Confeção dos Figurinos CRISTINA FERREIRA Orientação de Oficina de Chapéus CATARINA BARROS Apoio Técnico JOÃO FÉLIX, TOMÉ LOPES, RUBEN GONÇALVES e FÁBIO PINHEIRO Fotografia de Cena PEDRO FIGUEIREDO Vídeo VASCO SANTOS Comunicação ANA FERREIRA e NUNO MATOS Produção Executiva ROSA BESSA Direção de Produção GLÓRIA CHEIO Direção Técnica PEDRO VIEIRA de CARVALHO Direção de Cena JESSICA DUNCALF