Os 13 Dias Antes
19 a 23 julho'23
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ACE Escola de Artes
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Palácio do Bolhão
“Pois a história não é mais do que um rio que flui eterno, sem nascente que se distinga nem mar onde desaguar.”
citação de alguém
Olhar de frente o fim.
Olhá-lo bem nos olhos, aceitar-lhe a inevitabilidade e, com o tempo que nos resta ainda, contado e recontado, lutar poética e inutilmente. Saber que se acaba, que tudo acaba, o curso, o espectáculo, a vida e, ainda assim, rir e chorar do que não tem remédio. Cavar no palco uma trincheira patética, ora divertida, ora trágica, sempre meio improvisada, e saber que, ao menos,
se gozou da liberdade, reservada talvez só aos artistas, de se morrer nos nossos próprios termos. Nós é que escolhemos como é que havemos de ir e o resto não passa de uma gestão mais ou menos bem sucedida do destino que nos calhou em sorte. Entre os últimos dias de Hiroshima antes do bombardeamento nuclear, a biografia desinspirada de alguém sem nome e a própria ideia de construção de um espectáculo impossível sobre um fim anunciado, Os Treze Dias Antes saltita entre as suas várias aspirações, incapaz de se decidir sobre qual será a mais premente e sentindo cada vez mais perto, a cada hesitação e falhanço, a promessa implacável de um futuro que há-de devorar o mundo todo. Em Hiroshima, tudo se cruza e tudo se funde, tudo se disseca e analisa e banaliza e poetiza e se confunde, tudo nos chega com a urgência de um passado que desejamos irrepetível e pressentimos, ainda assim, cada vez mais possível. Cada vez mais provável? O palco é improviso e a história também. Diria alguém que há aqui uma verdade dura e profunda. Mas alguém também diz muitas coisas e nem todas serão de aproveitar. Antes de concluir, umas poucas palavras às alunas e alunos que aqui corajosamente enfrentam o seu fim: depois do clarão, depois da vossa poética morte, espero ter o privilégio de vos encontrar ainda muitas vezes do outro lado. Já não como alunas e alunos, claro, mas como colegas que tive a honra de poder acompanhar nestes meses loucos, tão bonitos e tão exigentes, tão cheios de conquistas, recuos, gargalhadas, lágrimas, suores quentes e frios, dúvidas (“existenciais, de preferência…”) e, acima de tudo, honestidade. Afinem-se a vocês por esse inestimável diapasão que o mundo à vossa volta começa logo a acertar na
nota. Agradeço-vos, do fundo do coração, toda a honestidade que me dirigiram, esperando eu que a minha vos tenha servido de alguma coisa.
E que Amaterasu vos ilumine sempre o caminho.
Pedro Galiza
texto e encenação Pedro Galiza* assistência de encenação CATARINA SARAIVA* interpretação Beatriz Carvalho, Diana Sousa, Duarte Tavares, Eva Vieira, Inês Pinto, Isabel Campos, Joana Sousa, Mariana Gama, Mariana Silva, Matilde Neto, Miguel Cunha e Summer Vicentini desenho, montagem e operação de luz Melissa Silva e Violeta Gregório sonoplastia e desenho de som Daniel Lima e Francisca Dias execução e montagem de cenografia e adereços Francisca Tomaz e Renata Fonseca execução e manutenção de figurinos Carina Silva, Gonçalo Cunha e Lia Silva execução de figurinos MAFALDA COSTA* apoio a cenografia FILIPE MENDES* caracterização Lia Silva e Francisca Tomaz ilustração LIA SILVA apoio ao design gráfico Inês Vieira* direção técnica pedro vieira de carvalho* direção de cena jessica duncalf* apoio técnico joão brito* e tomé lopes* apoio a vídeo JOÃO LOUREIRO MARTINS* fotografia Pedro Figueiredo* orientação de PAP CRISTIANA DIAS* E JOÃO MARTINS* produção executiva rosa bessa* direção de produção glória cheio* produção Datura PAP e ace escola de artes
* Fora do contexto de PAP
agradecimentos Andrea Silva, Antonia Herbert, Armazém Dos Linhos De Filipa Artur Cardaretti, Carlos Carvalho, Casa Salgueiros, Cervejaria Diu Palace, CHAIA, Cristiana Dias, Duarte Santos, Fábio Pinheiro, Flávio Silva, Hugo Aston, Inês Vieira, Jorge Mesquita, Jorge Vieira, José Dias, José Garcia, Leandro Oliveira, Maria Sousa, Martim Henriques, Nuno Matos, Patrick Martins, Pinto Basto, Raquel Pereira, Teatro do Bolhão, Gerson Pimenta, Rita Carvalho e Aurum Bento