Vou Ao Teatro Ver o Mundo
24 a 27 janeiro'25
|
ACE Escola de Artes
|
Palácio do Bolhão
Um grupo de estudantes de teatro prepara-se para fazer um espetáculo. Há burburinho e movimentações pelo palco, entrada e saída de pessoas, material técnico e adereços. Faz-se um teste de som, verificam-se os projetores, desliga-se a luz de serviço.
Os estudantes preparam-se e discutem as razões que os levaram a fazer teatro, nesta escola. É assim que começa este projeto, no texto e em cena. É assim que começa o Projeto Zero, na nossa escola. Chamamos-lhe Zero porque corresponde aos primeiros passos, às primeiras experiências. Estas turmas chegaram à escola em setembro e ainda só tiveram tempo de fazer perguntas: O que é isto de fazer teatro? Que nomes tem o teatro? Quais são as minhas tarefas? O que é preciso para se começar a fazer isto que é suposto fazer no meu curso e no meu futuro profissional?
Foram três semanas de trabalho intensivo. Algo para que, a maioria dos estudantes, não está preparada: sete horas de trabalho diário, com várias etapas e vários níveis de atenção. Não é um castigo, é uma necessidade: nada se consegue imediatamente. É preciso tempo, é preciso insistir, é preciso repetir uma e outra vez. Só assim há evolução nas várias matérias, nas várias práticas, no entendimento do que é fazer isto que fazemos: quem ensina, quem aprende e quem faz isto, profissionalmente.
Este ano, partimos de um texto de Jean-Pierre Sarrazac, Vou ao Teatro ver o Mundo, que é uma espécie de viagem de reconhecimento do que é o teatro ocidental, desde a sua génese, na Grécia antiga até aos nossos dias. Foi uma viagem de 25 séculos em 3 semanas! Lemos livros, usámos outros textos, inventámos cenas, reescrevemos tudo. Falámos de presença, de estar presente, de querer estar presente.
Embrulhámo-nos nas palavras, tivemos de forçar a língua, o português e a própria língua dentro da boca, ajustámos os corpos, vezes sem conta, trouxemos para o palco, tudo o que, nesta fase, reconhecíamos como fundamental para começar uma viagem teatral: projetores, microfones, máquinas de fumo, figurinos, adereços, caracterização... quisemos expor, de alguma forma, aquilo que são as nossas atividades. E experimentámos uma possibilidade para o comunicar. Ainda não estamos a abordar a ficção, mas ficcionámos a realidade: e se um grupo de estudantes se reunisse para aprender a fazer teatro?
Este projeto é uma forma de chegar aqui: à escola, ao teatro, a 2025. Ainda que estar aqui, hoje, seja uma enorme confusão. São os primeiros passos. São estes os seus primeiros passos. Sabemos que fazer teatro é uma forma de entender o mundo. Sabemos que, um dia, faremos teatro para mostrar o que interpretamos do mundo. Mas, para já, é só uma forma de começar a ver. O resto, ainda está por escrever.
- - -
turma do curso de Cenografia, Figurinos e Adereços:
Adriana Cruz, Alves, Ferreira, Henrique Silva, Iohana Sousa, Lara Moreira, Lara Sofia, Mariana Sousa, Marta Figueiredo, Matilde Fangueiro, Rafael Eiras Soares, Raquel Neves, Rodrigo Ribeiro e Sara Miranda
turma do curso de Intérprete (Ator/Atriz):
Adriana Russo, Alex Flores, Alex Ribeiro, Ana Miguel Sá, Beatriz Torres, Benedita França, David Cardoso, José Ávila, José Bacelo, Lara Marques, Lara Pinho, Leonor Silva, Margarida Freitas, Maria Lobo, Maria Madureira, Mariana Neves, Matilde Ledo, Miguel Matos, Miriam Ferreira, Rodrigo Quintas, Rui Moreia e Sofia Ferreira
turma do curso de Luz e Som:
Ana Silva, Bryan Santos, Daniel Soares, David Ribeiro, Gonçalo Branco, Guilherme Alves, Jeremias Julião, João Sobrado, Lia Figueiredo, Miguel Monteiro, Rafael Rubin e Tiago Almeida
direção artística António Júlio direção de cenografia, figurinos e adereços Lola Sousa direção de luz Pedro Vieira de Carvalho direção de som João Martins apoio técnico João Félix, Rúben Gonçalves, Tomé Lopes e Fábio Pinheiro fotografia de cena Pedro Figueiredo comunicação Nuno Matos produção executiva Rosa Bessa direção de produção Glória Cheio direção técnica Pedro Vieira de Carvalho direção de cena Jessica Duncalf