Zero: A Medida Exata Entre Tudo e Nada

22 a 23 janeiro'26
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ACE Escola de Artes
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Salão Nobre | Palácio do Bolhão
Zero: A Medida Exata Entre Tudo e Nada

Respirar o mesmo ar.

Chama-se “Projeto Zero” ao primeiro projeto que se faz nesta escola. É neste projeto que as três turmas dos três cursos do primeiro ano se conhecem e trabalham em conjunto, durante três semanas. Se zero vem antes do um, é porque só há um se houver zero. O Zero — este nosso Zero — é mesmo isso: o antes, a preparação, o ponto de partida, e também o nada, a ausência, o vazio. 

Roubámos o título a um verso de uma canção do Luca Argel, que se chama Tragédia (logo por aqui poderíamos estar a falar de um género de teatro!), e chamámos a este nosso projeto Zero: a medida exata, entre tudo e nada. Por que é precisamente esse o lugar mais justo para descrever o que é fazer teatro: a medida exata em que, do nada, se convoca o mundo inteiro, e todos acreditam, mesmo que saibam que não é real. 

Se este Zero é um projeto vivo, construído dos corpos e das ideias de quem nele participa (estudantes e orientadores), e, por conseguinte, é único à sua maneira, por outro lado, não podemos ignorar que foi um Zero construído num momento de profunda transformação desta escola. Não é que uma escola com mais de trinta anos precise de voltar ao zero — claro que não!, — mas momentos como estes que vivemos são enormes oportunidades para repensar práticas, formas de fazer, de relacionar, de dirigir, de aprender, de criar. 

Em tempos de enorme imediatismo e exigência de resultados rápidos, propomos o inverso. Desaceleramos. Paramos. Observamos. E quando não sabemos o que fazer, respiramos. Fugimos às tentações de assemelhar o nosso projeto a um espetáculo, porque isso seria começar a casa pelo telhado. O resultado que poderão ver, é uma partilha honesta do caminho, das descobertas e das aprendizagens que fomos capazes de fazer em conjunto ao longo destas três semanas. Trocámos a previsibilidade, as marcações, a distribuição de falas e a segurança de um guião que todos conhecem, por um salto no escuro, quase sem rede. Ninguém sabe quando começa, também não sabemos quando termina e, pelo meio, sabemos apenas que estamos juntos, a respirar o mesmo ar, e que no silêncio dos nossos olhares e na confiança que temos uns nos outros, acreditamos que vamos encontrar o caminho. Há lá coisa mais bonita? 

Pela nossa parte, como orientadores deste projeto, tem sido um privilégio poder olhar para tudo no teatro como se fosse pela primeira vez, e encontrar novas perguntas nas curiosidades e no espanto de cada estudante. Ensinámos porque também aprendemos. Ensinamos porque também aprendemos. 

Porto, 22 de janeiro de 2026 

João Martins | Mafalda Costa |  Pedro Vieira de Carvalho | Sara Barros Leitão

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cenografia, figurinos e adereços Beatriz Vilela, Eliana Skye, Félix M. Afonso Barbosa, Francisca Domingues, Gabriela Sofia Monteiro Ferreira, Jéssica Campos, João Santos, Lana Vabo, Maria Tavares, Riley Souza, Mi Fernandes, Melissa Sousa, Tomás Almeida e Vicente Audra interpretação Alícia, Ariana Vieira, Bianca Luz, Carla, David Carvalho, Emília Proença, Emma Muzychuk, Gael Prieto, Gustavo, Iara Sousa, José Moura, Zé Pedro, Lara Ortiga, Leonardo Félix, Clara Esteves, Inês Magalhães, Maria João Praça, Mariana Rute Marques, Marta Albuquerque, Rita Cerca e Rogéria Varela luz e som Camila Mattos, David Araújo, Eduardo Nabais Araújo, Guilherme Pereira, Inês Martins, João Rodrigues, João Ribeiro, Leonor Silva, Francisca Oliveira e Tomás Campos 

direção de cenografia, figurinos e adereços Mafalda Costa direção de luz Pedro Vieira de Carvalho direção de Som João Martins apoio a voz Maria do Céu Ribeiro apoio técnico João Loureiro Martins, Liliana Macedo, Tomé Lopes, Rúben Gonçalves, Fábio Pinheiro, Maria Sousa (estágio) e Inês Domingues (estágio) apoio a figurinos Cristina Ferreira divulgação Ana Ferreira e Nuno Matos fotografia de cena Pedro Figueiredo registo vídeo Vasco Santos produção executiva Rosa Bessa direção e produção Glória Cheio direção técnica Pedro Vieira de Carvalho direção de cena Jessica Duncalf texto Clarice Lispector