O Nome

13 a 17 maio'26
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Teatro do Bolhão
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Palácio do Bolhão
O Nome

Porquê O Nome?


Uma querida família… 

Tudo começa com um retorno. Uma jovem volta a casa dos pais, grávida e acompanhada de um namorado, ambos desorientados e sem recursos, em busca abrigo junto daqueles de quem se haviam precisamente afastado. A jovem grávida vê-se como vítima de falta de atenção, e, evidencia um comportamento agressivo, uma amargura que a afasta cada vez mais do namorado a cada discussão sobre o nome do bebé. Cada frase trocada óbvio o quão pouco sabem pouco um do outro. Já os pais que acolhem o casal, não escondem o desconforto e não têm o mínimo de civilidade para com os que chegam e necessitam de ajuda. O pai oferece dinheiro à filha—possivelmente para incentivá-la a sair mais cedo—, a mãe desgastada e confusa retira-se frequentemente para quarto. Qualquer tentativa de criação de um “ambiente familiar” esbarra na falta de interesse recíproco, de empatia por parte dos personagens. Nenhum deles está verdadeiramente interessado em algo que ultrapasse a sua solidão. O Nome de Jon Fosse foi estreado há mais de um quarto de século, e, ao contrário de muita da dramaturgia sua contemporâneo escapou ao crivo do tempo para se assumir como uma peça seminal naquilo que é entendido como repertório contemporâneo. Nesta peça, ao contrário do drama familiar de consumo comum, a indiferença que permeia a Família, comumente vista como o cerne da nossa sociedade, é exposta sem disfarces ou preocupação com aparências. A cada diálogo a dinâmica da solidão, do egoísmo é exposta contrastando com a celebração coletiva e a afetividade típicas dos lugares-comuns que a palavra Família invoca. O Nome é uma sonata que, a alto e bom som, expõe implacável, vinte cinco anos depois, todas as fraturas que dilaceram o núcleo primeiro das nossas comunidades, neste admirável novo mundo tik-tok e post-covid. Uma peça poética, musical, estranha e despojada. Um texto assombrado, prenhe de fantasmas que tecem a possibilidade de um momento de teatro singular. Um momento de teatro servido com palavras que dinamitam a santa paz com que o entretenimento nos diz em que pensar e como pensar.

 

Encenação e Dramaturgia Nuno Cardoso
Tradutores Francisco Frasão e Solveig Nordlund
Cenografia F. Ribeiro
Desenho de Luz Pedro Vieira de Carvalho
Figurinos Ruben Ponto
Vídeo Luís Porto
Interpretação Diana Sá, João Cravo Cardoso, Maria Leite, Mário Santos, Sérgio Sá Cunha e Sofia Santos Silva

Coprodução Teatro do Bolhão, FITEI, Teatro Aveirense e Teatro das Figuras

M14

 

ESTREIA
25 abril — Teatro Aveirense

Bilhetes AQUI